Chegou à Netflix “O Clube do Crime das Quintas-Feiras”, adaptação do best-seller de Richard Osman dirigida por Chris Columbus. O filme transporta o público para Cooper’s Chase, uma luxuosa residencial para idosos que se torna palco de assassinatos intricados. Lá, um quarteto de aposentados – a espiã Elizabeth (Helen Mirren), o ex-sindicalista Ron (Pierce Brosnan), o psiquiatra Ibrahim (Ben Kingsley) e a enfermeira Joyce (Celia Imrie) – usa sua sagacidade para desvendar crimes que a polícia não conseguiu solucionar. A trama principal os coloca contra um empreendedor predatório, Ian Ventham (David Tennant), mergulhando-os em uma conspiração perigosa que conecta passado e presente.
A maior força do longa reside, sem dúvida, no carisma e na química do elenco principal. Helen Mirren comanda a tela com a autoridade de uma espiã aposentada que nunca perdeu o passo, enquanto Pierce Brosnan, Ben Kingsley e Celia Imrie compõem personagens adoráveis e cheios de personalidade. Chris Columbus, conhecido por “Harry Potter” e “Esqueceram de Mim”, aplica sua fórmula de sucesso: cria uma ambientação aconchegante e confortável, optando por um estilo visual limpo e uma narrativa que prioriza o entretenimento acessível. No entanto, é justamente essa escolha por um tom mais comercial que afasta o filme da essência mais afiada e criticamente engajada do livro original.
O roteiro de Katy Brand e Suzanne Heathcote enfrentou o desafio inevitável de condensar a narrativa densa de Osman em duas horas. O resultado é uma história de mistério funcional, porém simplificada. O livro se notabilizava por sua generosidade em explorar as histórias de vida secundárias e por suas críticas sociais incisivas a arquétipos contemporâneos, como o empresário ganancioso e o gângster violento. O filme, em sua busca por agradar a um público amplo, perde essa balança moral complexa. O terceiro ato, em especial, sofre com problemas de ritmo e uma conclusão que, ao contrário do livro, parece absolver os poderosos e privilegiados, deixando de lado a correção de injustiças que era central na obra original.
Tecnicamente, a fotografia envernizada de Don Burgess e a edição de Dan Zimmerman ocasionalmente não sincronizam, criando uma sensação de desajuste no clímax. Apesar disso, a construção do mundo comunitário de Cooper’s Chase é vívida, e as relações entre os personagens – como a improvável amizade de Elizabeth com Bogdan (Henry Lloyd-Hughes) – são desenhadas com habilidade e calor. “O Clube do Crime das Quintas-Feiras” é, no final das contas, um divertido passatempo detetivesco.
É um filme com o coração no lugar certo, elevado por performances magnéticas, mas que opta por ser uma versão mais simplista e menos da investigação inteligente e humana que cativou os leitores.
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