A adaptação do aclamado romance de Emily Henry, “De Férias com Você”, chegou ao Netflix prometendo ser o evento romântico do início de 2026. Com a premissa irresistível de dois melhores amigos de personalidades opostas que fazem uma viagem de verão juntos todos os anos, o filme tinha todos os ingredientes para um sucesso: viagens deslumbrantes, tensão romântica e um par de protagonistas carismáticos. Mas será que a magia das páginas sobreviveu à transição para as telas? A crítica aponta para uma experiência cinematográfica que, apesar de seus momentos brilhantes, esbarra em falhas significativas de adaptação.
A força mais inegável do filme reside na química eletrizante entre seus protagonistas. Emily Bader, como a espírito livre e caótica Poppy, e Tom Blyth, como o Alex reservado e cerebral, são perfeitamente críveis como amigos de longa data cujos sentimentos não confessados povoam cada olhar e gesto. Sua conexão carrega o filme, transformando cenas simples em momentos de tensão palpável. Este triunfo do elenco é realçado por uma direção de arte impecável, que nos transporta para destinos paradisíacos, da Toscana dourada à energia de Barcelona, alimentando o desejo de fuga que é central à narrativa.

No entanto, a crítica especializada aponta que “De Férias com Você” tropeça justamente onde mais precisava acertar: na profundidade emocional e no humor que consagraram o livro original. A decisão mais controversa foi a exclusão de arcos narrativos fundamentais que davam espessura psicológica aos personagens. No romance, Alex é levado a uma ação drástica e irreversível movido pelo pânico de perceber a intensidade de seu amor por Poppy. Esta omissão no filme, conforme apontam análises, esvazia a motivação masculina, transformando um personagem complexo em um interesse romântico mais genérico e diminuindo o impacto emocional do clímax.
Além disso, o filme sofre de um desequilíbrio tonal considerável. Enquanto os livros de Emily Henry são celebrados por seu diálogo afiado e situações genuinamente engraçadas que equilibram o drama, a adaptação opta por um registro excessivamente sério. A comédia, quando aparece, soa forçada e raramente atinge o tom de humor inteligente e natural que definia a relação de Poppy e Alex nas páginas. Essa falta do elemento “com” na comédia romântica resulta em longos períodos onde a narrativa parece um drama de relacionamento convencional, perdendo a identidade única da obra-fonte.
A estrutura narrativa também revela as costuras da compressão. A necessidade de condensar anos de viagens e desenvolvimento emocional em pouco mais de duas horas faz com que alguns flashbacks pareçam vignettes desconectadas, mais preocupadas em mostrar um cartão-postal do que em avançar a história dos personagens de forma orgânica. Algumas cenas caem em clichês visuais do gênero sem a construção necessária para lhes dar ressonância emocional, um problema que poderia ter sido mitigado com o formato de série limitada que muitos fãs defendiam.
A crítica, portanto, é dividida. Por um lado, “De Férias com Você” oferece um produto visualmente cativante, ancorado por performances sólidas que vão agradar espectadores em busca de um romance descomplicado e belo de se ver. Por outro, para o público que conhece e ama a obra de Emily Henry, o filme pode parecer uma versão diluída e menos ousada da história, que prioriza a estética em detrimento da substância emocional e do humor. A adaptação serve como um lembrete de que transportar um livro amado para o cinema exige mais do que replicar seus cenários e enredo; exige capturar sua alma, seus risos e suas dores mais profundas – algo que, nesta viagem cinematográfica, nem sempre conseguiu embarcar.








