Quando Super Mario Bros. – O Filme estreou em 2023, a missão era provar que o encanador bigodudo poderia enfiar a chave de fenda no cinema sem causar curto‑circuito. Missão cumprida com estrondoso sucesso. Agora, três anos depois, a sequência Super Mario Galaxy: O Filme tem um desafio diferente: expandir esse universo sem medo de ousar. E a primeira coisa que se nota é que a animação da Illumination finalmente se sente confortável na telona. Super Mario Galaxy: O Filme entrega um espetáculo visual de primeira linha, como veremos em cada aspecto a seguir.
A grande aposta do filme está na escala. Saindo do Reino dos Cogumelos, a aventura se espalha por galáxias inteiras, e a Illumination aproveita cada centímetro dessa liberdade. Os cenários vão de planetas de gravidade invertida a hubs espaciais repletos de easter eggs, passando por ambientes que mesclam o familiar com o surreal. É aqui que o estúdio mostra seu amadurecimento: não há medo de ousar na direção de arte, e a equipe brinca com diferentes estilos, inserindo sequências em 2D inspiradas em animes e até trechos em 8 bits que funcionam como verdadeiras cartas de amor aos fãs. Super Mario Galaxy: O Filme não se intimida diante da vastidão cósmica que o título promete, e o resultado é um dos trabalhos mais ricos visualmente já feitos pela parceria.

A trilha sonora representa uma evolução significativa em relação ao primeiro filme. Enquanto a estreia da franquia recorria a hits pop licenciados para soar contemporânea, a sequência aposta com confiança no legado musical de Koji Kondo. Super Mario Galaxy: O Filme confia plenamente no legado musical da franquia, entregando arranjos orquestrados e releituras que emocionam e potencializam cada cena. Os efeitos sonoros tradicionais, como pulos e blocos quebrados, surgem de forma integrada e nunca soam como mera fan service.
A dublagem brasileira também merece destaque. Longe da armadilha dos memes passageiros que assola tantas animações, o trabalho local mantém a essência dos personagens e entrega uma experiência que, em muitos momentos, rivaliza com a versão original. É um cuidado que demonstra o respeito pelo público e pela obra.
O maior acerto narrativo do filme está na química entre Luigi e Yoshi. O dinossauro, que finalmente eclode do ovo deixado na cena pós‑créditos do primeiro longa, não é tratado como mero mascote. A química entre Luigi e Yoshi em Super Mario Galaxy: O Filme é um dos pontos altos da sequência, trazendo alívio cômico genuíno e camadas emocionais que faziam falta na relação entre os irmãos. A dupla rouba a cena sempre que está em tela e conquista o público rapidamente.
Outro ponto alto é a introdução de Fox McCloud, o piloto da franquia Star Fox. A forma como sua participação é inserida evita o aceno gratuito. Fox McCloud surge na reta final com uma naturalidade que surpreende, e sua presença indica que a Nintendo está construindo um cinema conectado com a mesma ambição de seus games. Pikmin, R.O.B. e outras caras conhecidas também aparecem em pequenas pontas que agradam sem roubar o foco da história principal.
Por outro lado, alguns personagens acabam subutilizados. Rosalina, que nos games possui uma história rica e emocionante, fica boa parte da projeção em segundo plano. Até mesmo Bowser, agora reduzido a um tamanho minúsculo, tem sua relação com Bowser Jr. explorada de forma divertida, mas poderia render mais. A sensação é que o filme tenta abraçar tantos elementos que alguns ficam pelo caminho.
A trama começa sem enrolação. Bowser Jr. sequestra Rosalina para libertar o pai e se vingar de Mario, e os irmãos encanadores, agora acompanhados por Yoshi, partem em uma corrida contra o tempo. Peach e Toad seguem por outra rota, e essa divisão de núcleos permite explorar diferentes galáxias, mas também contribui para a sensação de que a história está sempre em ritmo de sprint.
É aí que mora o principal ponto de cautela. O filme quer apresentar tantos elementos novos, power‑ups, aliados, vilões, que por vezes não sobra espaço para um desenvolvimento mais aprofundado. A resolução, por exemplo, chega de forma tão rápida que algumas pessoas na sala chegaram a perguntar se realmente tinha acabado. As duas cenas pós‑créditos, claro, já sinalizam que a história ainda não terminou.
Apesar do ritmo acelerado, os méritos superam os tropeços. Super Mario Galaxy: O Filme representa um passo importante para a consolidação da Nintendo no cinema, provando que o universo dos encanadores bigodudos tem muito a oferecer além da nostalgia. É uma animação que acerta na ambição visual, na trilha, nos novos personagens e na expansão de um mundo que, agora, finalmente se sente confortável nas telonas.
Mesmo com o ritmo acelerado, Super Mario Galaxy: O Filme deixa a certeza de que a parceria entre Nintendo e Illumination ainda tem muito gás para queimar e que o melhor ainda está por vir.
⭐⭐⭐⭐ (4 de 5)












