Eu estava zapeando o catálogo de jogos novos do meu Xbox e vi que Clair Obscur: Expedition 33 tinha chegado ao Game Pass. Na hora, soube que era um daqueles jogos que prometem algo diferente, e resolvi mergulhar nessa aventura cheia de mistério e tensão. A premissa é fascinante: uma vez por ano, uma entidade chamada Paintress pinta um número amaldiçoado e apaga da existência todas as pessoas daquela idade. Agora, o próximo número é 33, e você lidera uma expedição final para tentar destruir essa ameaça e quebrar esse ciclo mortal.
Quem fez esse jogo?
Clair Obscur foi desenvolvido pela Sandfall Interactive, um estúdio pequeno e dedicado da França que apostou alto num RPG que mistura combates por turnos com mecânicas em tempo real super inovadoras. O jogo é o projeto de estreia desse time composto por 33 membros (SIM, UM JOGO DESSE NÍVEL FOI FEITO POR APENAS 33 MEMBROS, 32 humanos e um cachorro carinhosamente citado nos créditos do game), feito com muito cuidado e paixão, usando o Unreal Engine 5 para entregar gráficos impressionantes e uma atmosfera única inspirada na Belle Époque francesa, um período histórico conhecido por sua elegância e riqueza artística. Essa combinação de estilo, história e gameplay emergente colocou a Sandfall no radar como uma nova força promissora na indústria dos games.
Um RPG de turnos, que lembra um Hack and Slash
Jogar Clair Obscur: Expedition 33 é mergulhar em uma experiência RPG por turnos simplesmente fantástica e envolvente. O jogo não só revive o estilo clássico do gênero, mas traz uma jogabilidade inovadora que faz você se sentir realmente no centro das batalhas, exigindo precisão e reação constante durante os combates. A sensação ao controlar Gustave e sua equipe é de estar em uma verdadeira expedição, explorando um mundo misterioso e desconhecido que cativa a cada novo registro e desafio encontrado.
Logo nas primeiras horas, você percebe como o sistema de batalha diferencia Clair Obscur dos RPGs tradicionais. Cada ação exige timing perfeito, seja para aparar ataques inimigos ou executar contra-ataques poderosos, criando um ritmo único que mistura estratégia e ação em turnos. Esquivar e aparar são dois pilares essenciais que realmente testam sua habilidade, transformando encontros comuns em duelos intensos, onde o erro pode custar caro. É impossível não se sentir desafiado e recompensado a cada luta. E eu falo isso com convicção pois não gosto do gênero souls, não me entrego pra jogos apelões e sim, tá tudo bem jogar no modo easy, o importante é se divertir. Mas aqui, me desafiei como não fazia há anos, num nível de morrer 6, 8 vezes para um boss, desligar o console, bravo e irritado e voltar no dia seguinte pra tentar (e as vezes morrer), mais uma vez.
O design das habilidades e o vasto repertório delas adicionam ainda mais profundidade ao combate. Muitas vezes, é necessário pressionar botões no momento certo para maximizar o dano ou se defender, o que mantém os turnos dinâmicos e envolventes — muito diferente do “bater e esperar” de outros jogos de turno. Essa interação constante faz com que a experiência seja visceral, quase como se você estivesse lutando lado a lado com seus personagens.
Uma das mais belas trilhas sonoras dos games da última década!
Durante a exploração, a ambientação sonora é outro aspecto que merece destaque. A trilha e os efeitos sonoros criam uma atmosfera imersiva que reforça a sensação de estar num lugar desconhecido e inóspito. Enquanto você vasculha corredores e descobertas, o clima sonoro complementa a sensação de mistério e suspense, intensificando o envolvimento na narrativa. Na metade do jogo eu me rendi e fui pro Spotify baixar o álbum pra ficar ouvindo, e olha, ouvi durante um mês inteiro. Deixo o link aqui pra você ter essa experiência também.
O roteiro de Clair Osbcure, mergulhe nos mapas pra descobrir
Falando da narrativa, Clair Obscur traz um roteiro envolvente e personagens que se destacam por suas personalidades únicas, fazendo com que você se sinta conectado a eles, como se fossem companheiros reais de jornada. A narrativa se desenrola aos poucos enquanto você encontra gravações e registros de expedições passadas, aprofundando o mistério do local e a história de seus habitantes. Essa construção de mundo detalhada e emocionante faz com que a exploração valha cada segundo.
Visualmente belo, mesmo não sendo um TRIPLE A, e ainda assim melhor que muitos…
O mundo é visualmente impressionante, com direção de arte muito bem trabalhada. Os cenários, embora em sua maioria sejam corredores, são requintados em detalhes e cativam pela originalidade. As múltiplas rotas, ainda que por vezes confusas, adicionam uma camada de complexidade e incentivo para revisitar áreas e participar do fenômeno “soulslike” do jogo, onde os inimigos ressurgem após descansar em pontos de salvamento, aumentando a tensão em cada passo.
Além disso, a possibilidade de customizar os atributos dos personagens com pontos ganhados nas batalhas permite diferentes builds, o que incentiva experimentar estratégias e estilos variados durante a jornada. Essa flexibilidade caracteriza ainda mais o jogo como um RPG completo, que respeita as escolhas do jogador e seu estilo de combate.
Outro ponto que impressiona é o equilíbrio que o jogo mantém entre o desafio e a diversão. As batalhas são difíceis, mas justas, exigindo pensamento rápido e estratégia, evitando o que muitos consideram o tedioso grinding sem graça presente em outros RPGs. Cada encontro é único e mantém a adrenalina lá em cima, o que torna a experiência ainda mais recompensadora.
Se você tem GAMEPASS, parabéns, você ganhou o GOT do ano pra jogar na faixa, VAI JOGAR AGORA!
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A presença no Game Pass também é um atrativo, permitindo que muitos jogadores tenham acesso a uma experiência AA de altíssima qualidade sem custo adicional, reforçando que jogos com orçamentos menores podem sim competir de igual para igual com grandes produções, em termos de diversão e qualidade geral.
Em resumo,
Clair Obscur: Expedition 33 é um daqueles jogos que te pegam pela mão e não largam mais. A imersão é total, desde o controle preciso nas batalhas até o envolvimento emocional com os personagens e o mundo. Senta, pega seu controle, e prepare-se para uma das melhores jornadas RPG que você vai fazer nos últimos tempos. O jogo é uma prova concreta de que dedicação, paixão e inovação dentro de um estilo clássico podem resultar em algo brilhante e inesquecível.
PS1 – Se você tem um portátil, aconselho a experimentar nele também, durante meu tempo fora de casa, graças ao gamepass, instalei o jogo no meu Rog Ally e pude aproveitar a jogatina em qualquer lugar que estava. Eu disse, uma vez que você começar, não vai querer parar.
PS2 – O jogo tem dois finais, o primeiro que fiz me deixou impactado, voltei ao ponto final de checkpoint e fiz o segundo final, esse me deixando em posição fetal refletindo sobre a vida o universo e tudo mais.
Meu GAME OF THE YEAR de 2025 sem dúvida nenhuma.
NOTA 10/10