Após a FURIA garantir sua vaga com uma vitória convincente sobre a Sentinels, o Mais Esports conversou com exclusividade com Tatu, o jungler das Panteras. Mesmo sem perder um mapa na série, o jogador, que exerce uma forte liderança dentro de equipe, manteve os pés no chão e mandou um recado direto sobre a mentalidade necessária para o time brasileiro alcançar uma consistência ainda maior.
No dia 1º de fevereiro, após eliminarem a VKS, Tatu havia mencionado a necessidade de um mergulho mais profundo no League of Legends, com um foco maior na mecânica. Questionado se está satisfeito com essa evolução, ele respondeu que sim por enquanto, mas fez uma ressalva importante. Para ele, é vital que a FURIA mantenha um estado de desconforto e insatisfação, pois a acomodação é o primeiro passo para o declínio. O jogador acredita que a trajetória atual é positiva, mas reforça que ainda há uma longa estrada a percorrer e muitos passos a serem dados.
Tatu explicou que esse estado de constante evolução é cultivado através da cobrança mútua dentro da equipe, expressando incômodos e mantendo um diálogo aberto e sincero entre os jogadores. Após a vitória, ele próprio admitiu estar incomodado com aspectos da partida, citando decisões equivocadas no early game e a necessidade de alinhar melhor a estratégia do time. Apesar da frustração com a dificuldade em um dos jogos, que ele acredita que deveria ter sido mais dominante, Tatu fez questão de elogiar a resiliência do time em buscar a virada, um sinal, segundo ele, de maturidade e força coletiva.
A eliminação no split da Copa CBLOL foi um momento de virada para a equipe. Tatu revelou que as conversas, tanto no calor do momento pós-jogo quanto em diálogos individuais posteriores, foram fundamentais para o crescimento do time. Jogadores como Tutsz e Ayu, segundo ele, assimilaram bem as orientações sobre postura e rotina de treinos. O jungler destacou que o clima na volta aos treinos era produtivo, com todos cientes da importância do campeonato e dos passos necessários, e que essa base sólida foi crucial para o retorno aos bons resultados.
Ao ser questionado sobre seu papel como líder, Tatu demonstrou maturidade e autocrítica. Ele compartilhou um aprendizado valioso: a ideia de que se achar um bom líder pode, na verdade, ser um sinal de alerta. Para ele, aprimorar a liderança é um processo contínuo de adquirir experiência, aprender a ler as situações e entender como sua figura é percebida pelo time, ajustando-se às necessidades de cada momento.
Sobre o estilo de jogo da FURIA, Tatu acredita que o time está redescobrindo sua identidade. Depois de um período de más atuações, a maior dificuldade era justamente a postura: saber o momento certo de agir e impor o próprio jogo agressivo. Agora, essa capacidade de reconhecer os momentos favoráveis se transformou em um dos maiores pontos fortes da equipe. Ele também elogiou o foco individual de cada jogador, citando Guigo, Tutsz, Ayu e Jojo, e reiterou que o sucesso coletivo é a soma de atuações individuais consistentes.
Analisando uma jogada específica contra a Sentinels, envolvendo uma ameaça de Barão, Tatu explicou a complexidade da estratégia. Ele detalhou como a equipe trabalhou a visão e a psicologia do adversário, construindo uma narrativa dentro da partida para confundir o oponente, uma tática comparada às usadas pela T1 em sua campanha vitoriosa no Mundial. Apesar do brilhantismo da jogada, o jungler fez questão de destacar sua atuação com Skarner como o ponto mais alto, salvando lutas e executando combinações perfeitas com seus companheiros.
Por fim, Tatu revisitou a metáfora do teto da FURIA. Se antes ele torcia para que o teto não fosse baixo, hoje ele vê um potencial imenso, mas que exige trabalho. Ele reconhece que o time tem uma oscilação: quando está mal, tende a se recolher, mas quando encontra o caminho, a evolução é acelerada e o leque de jogadas se expande. O grande desafio agora, nas palavras do jogador, é manter esse ritmo, preservar a essência e continuar buscando mais, dia após dia, para que a FURIA atinja todo o seu potencial na Americas Cup 2026.










